Em 1959, a Volvo inventou o cinto de segurança de três pontos e fez algo que nenhuma empresa faria hoje.
Compartilhou a tecnologia de graça com todos os concorrentes.
Sem patente exclusiva. Sem vantagem competitiva técnica. Sem segredo guardado a sete chaves. A Volvo simplesmente abriu mão da propriedade da invenção e deixou que qualquer fabricante usasse o mesmo dispositivo.
O que a Volvo não compartilhou foi outra coisa. A narrativa. O posicionamento. A palavra que a marca escolheu ocupar na mente de quem comprava carro.
Sabe o que era? A Segurança.
Durante as décadas seguintes, a Mercedes-Benz e a BMW lançaram modelos com pontuações até bem melhores nos testes independentes de segurança. Os engenheiros de outras fabricantes desenvolveram sistemas ainda mais sofisticados.
Não importou. Aliás não fez diferença nenhuma, pois quando os consumidores pensavam em segurança, simplesmente pensavam na Volvo. Não no carro concorrente que pontuou mais alto no último teste da Euro NCAP.
Esse fenômeno tem um nome no marketing, chamamos de posicionamento de atributo único.
E ele explica, melhor do que qualquer outra coisa, por que tantos profissionais de serviço postam todos os dias, aprendem a fazer conteúdo, contratam gestor de tráfego e continuam sem clientes.
É muito comum atender aqui na Modernizza muitas psicólogas, psicanalistas, entre tantas outras profissionais competentes, não conseguirem seguidores no Instagram e não terem sucesso nas suas campanhas de marketing.
Quando uma profissional liberal me procura para falar sobre marketing, a conversa quase sempre começa com a mesma lista de hipóteses.
O problema é a frequência dos posts. Ou o horário de publicação. Ou o algoritmo que mudou. Ou a câmera que não é boa o suficiente. Ou a falta de tempo para produzir conteúdo com consistência. Ou que o gestor de tráfego que não entregou resultado.
A questão é que essas hipóteses apontam para a execução ou seja, apenas para a parte operacional. Tem foco em ferramentas e em como fazer… Porém, nenhuma delas aponta para o que vem antes da execução e para o que realmente importa. Totas vão direto para o passo que a maioria pula porque parece óbvio demais para merecer atenção, que é saber como se posicionar e não o que postar.
O posicionamento comercial.
O posicionamento é uma questão prática, técnica e decisiva. Sem ele resolvido, qualquer execução de marketing trabalha totalmente no escuro. Por melhor que seja o profissional de marketing, ele não vai entregar resultado, porque falta a base sobre a qual a execução precisa se apoiar.
Imagine que você abre o Instagram de uma psicóloga com três anos de perfil ativo, mais de 500 posts publicados e 4.200 seguidores. Os posts têm boa qualidade visual. A profissional escreve bem. Alguns reels passaram de dez mil visualizações.
Mas a agenda tem buracos e não converte seguidores em clientes.
Os clientes chegam apenas por indicação de conhecidos, mas não pelo perfil. Quando alguém novo manda mensagem depois de ver o Instagram, a conversa costuma terminar sem agendamento.
Esse perfil existe aos milhares e já atendemos muitos com o mesmo problema. E o diagnóstico é quase sempre o mesmo.
O conteúdo foi construído para gerar engajamento, não para atrair o cliente certo. São temas amplos, que interessam a muita gente. Posts sobre ansiedade. Sobre autoestima. Sobre relacionamentos. Conteúdo com boa qualidade, tecnicamente correto, mas que para em qualquer lugar.
Daí posso dizer que o problema não se trata de qualidade, mas da ausência de um fio condutor que dialogue exatamente com a necessidade de quem vê o conteúdo daquele perfil.
Se você passa por isso, posso dizer que o seu problema é a falta de saber transmitir para o seu público que você entende o problema específico dela e que você resolve.
Sem isso, o conteúdo atrai seguidores, mas não atrai clientes.
E existe uma diferença muito grande entre essas as duas coisas.
Seguidor é alguém que achou o conteúdo interessante e resolveu acompanhar o que você posta. Cliente é alguém que reconhece no conteúdo o próprio problema e entende que aquela profissional tem o que ele precisa. Se você passa por isso, saiba que o que está faltando no seu perfil é a conexão. Para que isso aconteça, o perfil precisa ser específico o suficiente para que a pessoa certa sinta que o post foi escrito para ela.
Especificidade exige posicionamento. Não dá para ser específico sem antes ter definido para quem você fala.
O tráfego pago amplifica o que já existe no perfil.
Se o perfil tem posicionamento claro, o anúncio leva mais pessoas certas até ele. O custo por lead cai, a taxa de conversão sobe e o investimento retorna.
Se o perfil não tem posicionamento claro, o anúncio leva mais pessoas até um lugar que não consegue converter. O dinheiro vai embora e o cliente certo não chega.
Isso não é culpa da agência de marketing, do gestor de tráfego ou da qualidade técnica do seu conteúdo. É um problema estratégico.
Contratar tráfego ou gerar conteúdos orgânicos para o seu perfil sem antes ter um posicionamento definido é como construir uma estrada que leva a um endereço que ainda não existe. A estrada pode ser perfeita, mas você não consegue chegar onde quer, por que o problema é o destino.
Muitas profissionais chegam ao marketing digital com um histórico de investimentos que não retornaram. Curso de Instagram, R$ 497, gestor de tráfego de R$ 1.500 por mês durante três meses. Criador de conteúdo cobrando R$ 800 por mês. Mentoria de social media de no mínimo R$ 2.000.
Somam quase R$ 10.000 investidos em ferramentas aplicadas sobre uma base indefinida.
E quando o resultado não chega, a imagem que fica é que o marketing não funciona para a sua área.
Só que funciona sim, é preciso só inverter a ordem, primeiro planejar seu posicionamento e depois se comunicar de acordo com o que planejou.
Muita gente confunde o conceito de posicionamento comercial achando que se trata de ter uma frase bonita para colocar no LinkedIn, uma identidade visual nova ou um nome de marca repaginado. Isso tudo bem depois. A definição do posicionamento vem antes de tudo isso.
Posicionamento é a resposta clara para três perguntas práticas.
Para quem você fala. Ser o mais específico possível sem tentar abraçar todos os tipos de público de maneira genérica. É preciso definir um perfil específico de cliente, com uma situação de vida identificável e com uma dor concreta. Quanto mais específico, melhor. A impressão intuitiva de que ser mais específico significa perder clientes é justamente o oposto do que acontece na prática. E digo isso com propriedade, quando nas minhas consultorias eu proponho essa especificação, a maioria dos clientes que não entendem de marketing falam que não querem escolher um perfil específico com medo de perder clientes. O que é o pior erro que um empresário pode cometer.
Qual problema você resolve. Deixar um pouco de lado a sua formação , a sua abordagem terapêutica ou metodologia, e se concentrar 100% no problema real que a pessoa vive antes de te contratar. O que ela sente, o que ela pensa, o que ela não consegue fazer por causa desse problema.
O que te diferencia das outras com a mesma formação. Encontre diferenciais competitivos capazes de diferenciar o seu trabalho. Não se concentre em questões como “sou dedicada” ou “atendo com cuidado”, isso todo mundo faz. Toda profissional competente é dedicada e cuidadosa. Diferencial é o que faz a pessoa certa escolher você especificamente, e não qualquer outra profissional com o mesmo diploma.
Quando as três respostas estão claras e escritas, o posicionamento existe. A partir daí, qualquer execução de marketing tem uma base real para se apoiar.
O conteúdo sabe para quem falar e o que dizer. O anúncio sabe quem segmentar e qual mensagem usar. A bio do Instagram consegue ser escrita em uma frase. A resposta para “o que você faz?” para de ser longa e confusa.
Tudo se encaixa, por que quando você entende como se posicionar tudo fica mais claro.
Posso afirmar por experiência que a resposta direta é que o posicionamento não gera resultado imediato.
Postar três vezes por semana gera métricas visíveis no dia seguinte, pois é possível ver curtidas, seguidores e compartilhamentos. A sensação de que algo está acontecendo.
Trabalhar o posicionamento é uma atividade de bastidores e não aparece em nenhum relatório de Instagram. Não gera engajamento e não tem número para apresentar no final da semana.
Além disso, exige uma decisão que muitas profissionais resistem a tomar, que é escolher para quem você fala com especificidade suficiente para, implicitamente, excluir os outros. E essa sensação de excluir um público gera um sentimento errôneo de achar que está perdendo algo.
Essa resistência é compreensível e eu entendo quando meus clientes resistem a essa definição. Parece que restringir o público é deixar dinheiro na mesa. Na prática, é o contrário. Quanto mais amplo o público endereçado, mais genérica precisa ser a mensagem. E mensagem genérica não move ninguém a agir.
A Volvo não tentou falar com todos os motoristas sobre todos os atributos possíveis. Escolheu uma palavra, um atributo, um espaço na mente do cliente. E defendeu esse espaço por décadas.
O resultado não foi limitação, pelo contrário ela conseguir dominar o mercado no seu posicionamento de carro seguro.
A sequência que funciona é muito simples, mas vai contra o que a maioria começa fazendo.
Vou dizer de novo para ficar bem claro que o posicionamento é a primeira coisa que você precisa fazer antes de se preocupar com criação de conteúdo. O primeiro passo simplesmente é definir para quem, qual problema, qual diferencial e como você resolve. E isso não precisa ser eterno, pois você pode revisar e mudar conforme achar necessário. Mas precisa existir antes de qualquer execução.
Só depois disso se preocupe com gerar conteúdo para as redes. Com posicionamento claro, cada post tem um destinatário específico, um propósito, uma intenção e um público claro. O seguidor certo lê e pensa “isso é exatamente o que eu vivo”. Essa sensação de reconhecimento e conexão é o que transforma seguidor em cliente.
Por último, vem o tráfego pago. Com posicionamento e conteúdo alinhados, o anúncio amplifica algo que já funciona. O custo por resultado cai porque a mensagem chega para quem já está predisposto a entender.
Inverter essa ordem é o erro mais caro que um profissional pode cometer no marketing digital. Não por falta de competência técnica, mas por falta de base.
A Volvo não foi a montadora com os melhores carros do mundo. Não teve os maiores investimentos em marketing. Não teve o algoritmo a seu favor ou o melhor gestor de tráfego.
Mas teve clareza sobre o lugar que ocupava no mercado.
Um prestador de serviço que sabe exatamente para quem fala, qual dor resolve e o que a diferencia não precisa postar todos os dias para ser lembrado. Não precisa ter o perfil mais bonito do seu nicho. E não precisa de gestor de tráfego com pacote premium.
Precisa de posicionamento claro o suficiente para que, quando a pessoa certa cruzar com o conteúdo gere o reconhecimento imediato. Para que a etiqueta do perfil não fique em branco.
Esse é o trabalho que vem antes de tudo. E é o único que nenhuma ferramenta de marketing, IA ou conhecimento em anúncios consegue fazer por você.
Quer começar por aí? O Diagnóstico de Posicionamento é uma consultoria para levar o seu negócio para o próximo nível.
Por Priscila Falchi – Consultoria de Marketing
This post was last modified on 28 de maio de 2026 23:27
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