Cada vez mais gente pergunta ao ChatGPT quem contratar antes de pesquisar no Google, e vale saber se a sua empresa está entre os nomes que ele responde. Quem decide isso é o GEO, a otimização para buscadores de inteligência artificial, e ele age num nível anterior ao do site.

Uma mulher que abriu a própria empresa há três meses e não dorme direito com medo de errar alguma obrigação abre o ChatGPT às onze da noite e digita: "me indica um escritório de contabilidade para quem está começando agora". A resposta chega em poucos segundos, com dois ou três nomes e uma frase sobre cada um. Ela vai olhar esses nomes. Provavelmente vai abrir o site de um deles antes de dormir e mandar mensagem no dia seguinte.

Se você vende o seu próprio serviço e tem um site no ar, seja à frente de uma empresa, por conta própria ou como profissional liberal, já passou por alguma versão disso. E se o seu nome não estava ali, existe uma explicação que costuma incomodar quando eu falo dela em consultoria. A inteligência artificial não julgou a qualidade do seu trabalho. Ela não tem como julgar. Ela varreu o que está escrito pela internet atrás de uma razão para citar você, e não achou nada que a fizesse escolher o seu nome no lugar do nome de quem trabalha ao lado. Esse problema ganhou nome próprio: GEO, ou otimização para inteligência artificial.

GEO, sigla de Generative Engine Optimization, é o trabalho de fazer uma inteligência artificial entender o que a sua empresa faz e citar o seu nome quando alguém pede uma indicação da sua área. O termo está em toda parte, quase sempre na boca de quem vende um pacote junto. Vale entender o que ele significa de fato antes de você contratar alguma coisa.

O que é GEO (Generative Engine Optimization)

Close das mãos de uma mulher segurando um celular, com o dedo indicador esticado prestes a tocar a tela.

GEO é a sigla de Generative Engine Optimization, otimização para motores generativos. Na prática, é o trabalho de fazer uma inteligência artificial entender o que você faz e citar você quando alguém perguntar por alguém como você. Vale para o ChatGPT, para o Gemini, para o Perplexity e também para a Visão Geral criada por IA, aquele bloco de texto que o Google passou a mostrar antes dos links.

Compare com o Google do jeito antigo. Lá aparece uma lista, e a lista tem dez resultados na primeira página, mais a segunda, mais a terceira. Você pode estar em sétimo lugar e ainda assim ser encontrada, porque quem pesquisa tem espaço para comparar, abrir três abas e voltar. Uma resposta de IA entrega um texto pronto, já resumido, com dois ou três nomes citados dentro dele. Quem ficou em quarto lugar nesse critério invisível não entra no texto, e a mulher que perguntou nunca vai saber que você existe.

De onde vem o termo, e por que ele passou a importar agora

O termo Generative Engine Optimization apareceu pela primeira vez em novembro de 2023, num estudo de pesquisadores de Princeton e do IIT Delhi, publicado depois na KDD 2024. Eles montaram um conjunto de dez mil buscas e ficaram reescrevendo um mesmo conteúdo de várias formas, com citação de fonte, com estatística, com uma escrita mais direta, só para ver o que fazia a IA escolher aquele texto na hora de responder.

Essa origem diz alguma coisa. Termo de marketing costuma nascer ao contrário: alguém batiza uma prática, o mercado repete, todo mundo vende, e a evidência aparece depois, quando aparece. Com GEO, mediram antes de vender. Isso não garante que quem vende GEO hoje saiba do que está falando, e não vai ser por causa de um estudo que a sua agenda vai lotar. Mas dessa vez você tem onde conferir quando alguém te prometer resultado, e o estudo está linkado ali em cima, aberto para qualquer pessoa ler.

Como uma IA generativa decide quem citar

Uma peneira de cozinha vista de lado: muitos grãos claros caem de cima, a maioria fica parada sobre a malha e três grãos laranja atravessam e caem embaixo.

Uma IA não entra no seu site e lê a página inteira com calma. Ela busca os trechos que respondem à pergunta que acabou de ser feita num índice parecido com o que o Google usa, e monta um texto novo juntando poucas fontes. As fontes que ela puxa costumam ser as que respondem de forma mais direta e mais fácil de conferir.

Isso muda o que conta como texto bom. Uma página que demora três parágrafos para começar a responder perde para uma página que responde na primeira linha, mesmo quando a primeira está mais bem escrita. E tem a página que fala em "atendimento personalizado" e "cuidado diferenciado" sem dizer para quem nem o que muda de verdade. Essa não dá à IA nada para citar. Pode estar impecável e mesmo assim não servir, porque ninguém pergunta ao ChatGPT quem tem atendimento personalizado.

Vale insistir nesse ponto, porque é o que mais gera confusão. Nenhuma dessas ferramentas consegue avaliar a qualidade do seu trabalho. Ela não sabe que você estuda todo fim de semana, que os seus clientes voltam, que você acerta onde muita gente erra. Ela lê o que está escrito. Se o que está escrito diz alguma coisa específica sobre você, ela tem o que citar. Se dá para copiar o texto do seu site e colar no site de qualquer colega da sua área sem trocar nada, é isso que ela encontra quando procura você: qualquer colega da sua área.

GEO substitui o SEO?

Não. E essa resposta costuma decepcionar quem esperava novidade.

Para aparecer bem no Google, você precisa das mesmas coisas de dez anos atrás: escrever conteúdo que responde de verdade, manter o site organizado e construir autoridade fora dele. É essa base que permite a uma IA usar você como fonte. O que mudou foi o jeito como a resposta chega até quem procura, e o trabalho por trás dela continua igual. Por isso quem já cuidava bem do próprio site não está começando do zero agora. Onde o SEO e o GEO realmente se separam é assunto de outro artigo desta série.

Por que mexer no site não resolve sozinho

Quando alguém descobre que não aparece nas respostas de IA, a primeira reação é quase sempre a mesma. Procurar quem mexe no site. Escrever mais artigos. Testar palavras novas. Já perdi a conta de quantas vezes ouvi alguma versão de "então eu preciso postar mais, né".

Essas ações ajudam, e algumas delas você vai acabar fazendo mesmo.

Só que elas arrumam a parte que aparece. Existe uma parte que não aparece, e é ela que decide se as outras vão funcionar. Uma IA só cita com alguma segurança quem já definiu para quem fala e o que muda na vida de quem contrata. Sem isso definido, o texto do site sai genérico. E sai genérico mesmo quando a pessoa capricha, porque ninguém escreve algo específico sobre um recorte que ainda não fez. A IA então lê um texto que serviria para qualquer profissional da área e faz o que qualquer leitor faria: passa adiante.

Aqui eu preciso dizer uma coisa que às vezes soa antipática. Definir para quem você fala parece tarefa de meia hora numa folha de papel: escolhe um público, escreve uma frase bonita na bio, pronto. Na prática é a parte mais difícil do trabalho inteiro, e é difícil por um motivo que tem pouco a ver com marketing. Escolher um público significa deixar de falar com outros, pelo menos na comunicação. Quase toda pessoa competente que eu atendi trava nesse ponto. Ela entende o argumento, concorda com ele, e mesmo assim adia, porque estreitar dá a sensação de estar fechando uma porta que talvez fosse tocar.

É por isso que ferramenta nenhuma resolve isso sozinha. Toda ferramenta trabalha em cima do que você já decidiu, e essa parte ninguém decide no seu lugar.

Por que esse problema não é novo

Duas mulheres sentadas num sofá de sala: a da esquerda, de camisa azul, olha para a da direita, que segura um livro aberto. Sobre a mesa de centro, um notebook aberto e folhas com gráficos redondos.

Se o cliente não chega pelo seu site, você já convive com uma versão antiga desse mesmo problema, e quase sempre sem perceber.

Pensa no que acontece numa indicação de verdade. Uma cliente sua encontra uma amiga que acabou de abrir uma empresa e diz: "fala com a fulana, ela cuida de quem está começando, me explicou cada imposto numa linguagem que eu entendi, e nunca me deixou no escuro". Em vinte segundos essa cliente fez o que o seu site não faz em vinte páginas. Ela disse para quem você trabalha, o que muda depois que você entra e como é lidar com você. Ninguém ensinou isso para ela. Ela sabia porque viveu.

Uma IA está tentando traduzir você do mesmo jeito, só que para gente que nunca ouviu falar de você. E ela não viveu nada. Ela tem acesso apenas ao que está escrito: o seu site, o seu perfil, o que outras pessoas escreveram sobre o seu trabalho. Se a clareza que a sua cliente tinha na cabeça não está escrita em lugar nenhum, a IA vai citar quem escreveu.

Perguntas frequentes sobre GEO

GEO é a mesma coisa que SEO para IA?

Muita gente usa como sinônimo, e numa conversa rápida dá para se entender assim. Na prática, o GEO aproveita boa parte da base do SEO e acrescenta cuidados com o jeito como uma IA resume e escolhe o que citar, que é diferente do jeito como um buscador ordena uma lista de links.

Preciso pagar para aparecer no ChatGPT ou no Gemini?

Hoje não existe nenhum jeito de pagar para aparecer nas respostas de IA generativa. Não dá para anunciar ali como se anuncia no Google Ads. Para aparecer nas respostas, você precisa de um conteúdo que responda bem e de uma fonte com autoridade por trás. Isso pode mudar, porque essas empresas vão precisar faturar em algum momento, e vale acompanhar quando o primeiro formato de anúncio aparecer.

Isso vale só para empresa de tecnologia?

Não. Vale para qualquer trabalho que dependa de ser encontrado e escolhido por uma pessoa, o que inclui praticamente todo serviço vendido por agendamento ou por proposta. A pergunta que abre este artigo poderia ser sobre arquitetura, advocacia ou mercado imobiliário sem mudar mais nada.

Por onde começar

Antes de mexer em qualquer configuração, vale saber onde você está. Dá para descobrir hoje mesmo e não custa nada: pergunte às próprias ferramentas o que elas sabem sobre você e sobre o trabalho que você faz. O roteiro de perguntas para fazer esse teste está no artigo seguinte desta série, junto do que observar em cada resposta.

Na maioria das vezes o teste devolve uma IA que não sabe direito o que dizer sobre você. Quando for esse o caso, o passo seguinte fica uma casa atrás do que parece. Antes de escrever mais, você precisa ter definido para quem fala, o que muda para essa pessoa e por que ela escolheria você. É esse trabalho que o Guia de Comunicação Profissional organiza, num passo a passo que você faz por conta própria, no seu tempo.

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Por Priscila Falchi – Consultoria de Marketing e fundadora da Modernizza Marketing Digital