Por tempo, por ter uma boa formação, ser reconhecido pelos colegas e oferecer um bom atendimento, era suficiente para ter uma agenda médica lotada de pacientes particulares.

A indicação mantinha o fluxo de outros pacientes e o boca a boca fazia o restante.

E, de fato, a indicação continua sendo importante. Um paciente satisfeito pode recomendar um médico para os seus familiares, amigos e colegas. Isso até pode ocorrer com frequência, mas o problema é que o comportamento de quem procura um profissional mudou, o mercado mudou e lotar a agenda já não é aldo tão automático.

Hoje, antes mesmo de marcar uma consulta, é muito comum que o paciente pesquise na internet e nas redes sociais por alguém profissional.

Procura a especialidade no Google e se sabe o nome faz toda a busca para saber mais sobre aquele médico. Ele entra no site, no Instagram e vê os conteúdos e avaliações. Busca informações não só sobre a especialidade. Tenta entender onde o profissional atende e se aquele médico parece ser ideal para o que ele está procurando.

É nesse momento que o marketing digital passa a ter importância para a medicina, e a mostrar que pode fazer a diferença para o fluxo de caixa no fim do mês.

Não porque o médico precise “vender consultas”, ou para dar um viés comercial para um atendimento na área da saúde.

Mas porque, quando um paciente particular procura ajuda, ele precisa encontrar informações suficientes para tomar uma decisão em ligar e agendar a consulta.

E se o médico não aparece, ou se aparece de forma pouco clara, outra pessoa pode ocupar esse espaço. E não é a toa que se vê médicos menos qualificados atendendo em consultórios lotados, enquanto outros médicos com mais formação e qualificação estarem dependendo só de indicações.

O paciente particular começa a consulta antes de chegar ao consultório

Se uma pessoa que recebeu um diagnóstico, está sentindo um sintoma ou simplesmente percebeu que precisa investigar alguma coisa, ele pega o celular e pesquisa.

Mulher pesquisando no celular sentada à mesa, antes de marcar uma consulta
  • “Cardiologista perto de mim.”
  • “Dermatologista especialista em acne adulta.”
  • “Endocrinologista para emagrecimento.”
  • “Ortopedista especialista em joelho.”

A pesquisa pode começar no Google, ir para Instagram, depois no YouTube ou até em ferramentas de inteligência artificial.

O paciente ainda não conhece você. Ele está tentando descobrir quem pode ajudá-lo.

Nesse primeiro momento, não basta existir como profissional. É preciso ser encontrado e, depois de encontrado, ser compreendido.

E antes de você pensar que precisa virar influencer digital ou vloguer, quero que entenda o seguinte.

O paciente precisa entender qual é a sua especialidade, quais problemas você trata, onde atende e por que poderia marcar uma consulta com você ao invés de com outro médico da sua cidade.

É justamente aí que uma presença digital bem construída deixa de ser apenas uma questão de divulgação e passa a fazer parte da estratégia comercial do consultório.

Ter um perfil no Instagram não significa fazer marketing

Sim você ouviu bem. Tudo que falaram sobre ter um perfil e ficar postando reels no Instagram não define que é marketing. Muitos médicos já estão nas redes sociais, mas de maneira totalmente equivocada, sem estratégia e sem posicionamento claro.

Publicam uma foto de vez em quando, compartilham alguma informação sobre saúde, fazem um vídeo ali ou aqui, ou simplesmente reproduzem uma notícia relacionada à sua especialidade e área de atuação.

Mas existe uma diferença entre estar na internet e ter uma presença digital que ajuda a conquistar pacientes particulares, que você precisa saber.

Um perfil pode ter muitos seguidores e ainda assim não gerar consultas.

Pode ter bons conteúdos e não deixar claro quem é aquele profissional.

Pode ter uma identidade visual bonita, mas não explicar de maneira simples o que o médico faz.

Pode até receber curtidas, comentários e visualizações, sem transformar esse interesse em procura e agendamento de consulta no consultório.

O problema está na falta de uma estratégia que conecte aquilo que o médico sabe fazer com aquilo que o paciente está procurando.

Marketing médico é muito mais do que publicar nas redes sociais

Quando se fala em marketing digital para médicos, muita gente pensa imediatamente em Instagram e no máximo LInkedin.

Mas saiba que o marketing digital para médicos é muito mais do que isso.

O site, por exemplo, pode ser uma das primeiras fontes de informação consultadas por um paciente. Ele precisa apresentar o médico de forma clara, explicar suas áreas de atuação e facilitar o contato.

O Google também tem um papel importante. Afinal, muitas pesquisas relacionadas à saúde começam pelos mecanismos de busca.

As redes sociais ajudam a aproximar o profissional do público e permitem mostrar conhecimento, esclarecer dúvidas e construir familiaridade.

As avaliações e a reputação digital também podem influenciar a decisão.

E existe ainda a publicidade online, que pode ajudar a colocar o médico diante de pessoas que já estão procurando determinado tipo de atendimento. E tudo isso desde que esteja alinhado às diretrizes permitidas pela categoria.

Fazer anúncio não é proibido. O que proibido é infringir as diretrizes do conselho de ética da categoria.

Dito isso, e sabendo que pode anunciar sem medo desde que faça do jeito certo. Devo dizer que não adianta investir em anúncio levando o paciente para uma página que não explica o serviço. Da mesma forma, não adianta ter um site excelente se ninguém consegue encontrá-lo.

Marketing digital para médicos funciona melhor quando existe uma estratégia por trás dos diferentes canais de comuncação. Você não vai fazer um conteúdo para TikTok como faria para uma revista médica da mesma forma que não vai gravar um vídeo no Youtube do mesmo jeito que faria um post no Linkedin.

O paciente não procura apenas um médico. Ele procura segurança para decidir

E esse é o pulo do gato. Uma consulta particular envolve uma decisão. Ainda mais na área da saúde, que essa decisão costuma vir acompanhada de insegurança.

  • “Será que esse médico é adequado para o meu caso?”
  • “Será que ele realmente entende desse problema?”
  • “Como será o atendimento?”
  • “Será que posso confiar?”

O paciente não consegue avaliar tecnicamente a formação médica da mesma forma que avaliaria um profissional de qualquer outra área.

Por isso, ele procura outros sinais.

Tem muitos critérios, como , a forma como o médico apresenta seu trabalha, a clareza das informações, a experiência demonstrada nos conteúdos. Além da organização do site., as informações sobre atendimento e a maneira como responde às dúvidas.

Tudo isso contribui para a percepção de confiança por parte de quem lê a sua comunicação.

Isso não significa prometer resultados ou tentar convencer alguém de que determinado médico é “o melhor”. Por isso, pode ser feito tranquilamente.

Significa apenas dar ao paciente elementos para entender quem é o profissional e decidir se aquele atendimento faz sentido para ele.

O conteúdo médico pode ajudar o paciente a reconhecer que precisa de atendimento

Muitas pessoas não chegam ao consultório dizendo exatamente o nome daquilo que precisam tratar. Elas pesquisam sintomas, dúvidas e situações do cotidiano.

Uma pessoa pode procurar:

  • “Dor no joelho ao subir escada.”
  • “Queda de cabelo depois dos 40.”
  • “Cansaço constante pode ser falta de vitamina?”
  • “Quando procurar um cardiologista?”
  • “Dor de cabeça frequente é normal?”

Essas perguntas representam oportunidades para o médico produzir conteúdo relevante sobre cada um dos temas da sua área que são mais relevantes e pesquisados.

Para orientar, esclarecer e mostrar em quais situações é importante procurar avaliação profissional, sem jamais diagnosticar alguém pela internet.

Quando um conteúdo responde de forma clara a uma dúvida, o paciente começa a perceber que aquele médico conhece o assunto que está tentando entender.

É assim que o conteúdo pode contribuir para a construção da confiança. Veja que não estou falando de apenas postar em Instagram. Estou dizendo que marketing digital é postar com estratégia e que conteúdo é uma ferramenta de comunicação.

Ser lembrado também faz parte da estratégia

Nem sempre uma pessoa vê um médico no Instagram e marca uma consulta imediatamente, pois pode estar apenas pesquisando entre vários médicos.

Pode ainda não ter decidido, pode precisar conversar com alguém da família, pode estar comparando profissionais ou pode voltar à pesquisa alguns dias depois.

Por isso, uma presença digital consistente também em trabalhar em ser lembrado.

Quando o paciente finalmente decide marcar a consulta, é mais provável que procure novamente por um profissional que já havia encontrado, cujo conteúdo se alinha com o que ele necessita.

Então, se você é médico e ainda não faz marketing digital, está perdendo a oportunidade de ter um canal de captação de pacientes para o seu consultório.

Por Priscila Falchi – Consultoria de Marketing e fundadora da Modernizza Marketing Digital