Divulgar consultório de psicologia esbarra numa dúvida que atravessa a carreira de quase todo profissional antes de publicar qualquer coisa, que é onde fica a linha entre informar e ferir o código de ética. Mas a verdade é que existe uma régua simples para decidir isso. Vou mostrar como fazer marketing para consultório de psicologia dentro dela, com a base legal que sustenta cada parte.

Marketing para consultório de psicologia: o que a lei permite

É uma dúvida que atravessa a carreira de quase todo profissional da área, e a resposta está na legislação.

A base da divulgação profissional em Psicologia mudou bastante desde a virada dos anos 2000, e boa parte do que circula em grupo de colegas ainda se apoia em regra antiga. O quadro em vigor reúne o Código de Ética Profissional da Psicóloga e do Psicólogo (Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 010/2005), nos artigos 19 e 20, e a Resolução CFP nº 03/2007, que consolida as resoluções do Conselho e traz o capítulo de publicidade nos artigos 53 a 58. Some a isso a Resolução CFP nº 11/2000, sobre oferta de produtos e serviços psicológicos.

Duas atualizações recentes importam de verdade para quem divulga hoje.

A primeira é a Nota Técnica CFP nº 1/2022, que orienta a categoria especificamente sobre uso profissional das redes sociais, publicidade e cuidados éticos. É o documento mais próximo da rotina de quem publica em rede social, e ele reconhece que a profissional tem autonomia para escolher os meios e as plataformas mais adequados ao próprio trabalho.

A segunda é a Resolução CFP nº 09/2024, publicada em 30 de julho de 2024, que passou a regulamentar a prestação de serviços psicológicos por meio de tecnologias digitais. Ela revogou a Resolução CFP nº 11/2018 e a Resolução CFP nº 04/2020, e o cadastro prévio na plataforma e-Psi deixou de ser obrigatório. Pela norma atual, basta que a profissional esteja capacitada para o serviço que se propõe a prestar e com o registro ativo no Conselho Regional. Na prática da divulgação, anunciar atendimento on-line deixou de depender de uma autorização prévia específica, e a responsabilidade sobre a adequação do serviço continua inteira com a profissional.

Normas mudam. Antes de fechar qualquer material, a fonte a consultar é o site do Conselho Federal de Psicologia e o do seu Conselho Regional. Nenhum resumo de terceiros substitui essa leitura, este artigo incluído.

A régua que resolve a maior parte das dúvidas

O receio de errar acaba paralisando profissionais que teriam muito a oferecer, e o resultado é ninguém encontrar quem está procurando ajuda.

Uma régua prática ajuda: se o texto informa, explica ou esclarece, ele está dentro. Se promete, compara ou expõe alguém, está fora. Essa distinção resolve a maior parte dos casos sem precisar consultar nada.

Na prática, isso significa sempre assinar a divulgação com nome e número de registro no Conselho, nunca anunciar preço em formato de oferta ou promoção, e nunca prometer prazo ou resultado do tratamento, já que isso foge do controle de qualquer profissional.

Para o que ficar na fronteira, vale conferir a redação vigente no Conselho, que muda com o tempo, e na dúvida escolher a versão que apenas informa.

O que fica no lugar do que não pode

A confiança que um depoimento traria se constrói por outro caminho, e ele é mais duradouro: explicar a abordagem com clareza, mostrar formação e registro, escrever sobre os temas que você atende e responder as dúvidas que antecedem a primeira sessão.

Quem chega tendo lido isso confia antes de conhecer, e chega com expectativa mais realista, o que também protege o processo terapêutico.

Assinar o que se publica com nome e registro também ajuda. Autoria identificável pesa na confiança de quem lê e é um sinal que a profissão tem de sobra e usa de menos.

O mesmo cuidado com a ética vale para outras frentes de divulgação, tratadas em inbound marketing para psicólogos e em como aumentar a visibilidade do consultório de forma ética. O panorama completo do trabalho está em marketing digital para psicólogos.

Perguntas frequentes

Psicólogo pode fazer publicidade?

Pode informar sobre os serviços, a abordagem, a formação e o formato de atendimento. O que não cabe é promessa de resultado ou cura, sensacionalismo, depoimento de paciente e comparação com colegas.

Como saber se um texto está dentro da norma?

Se ele informa, explica ou esclarece, está dentro. Se promete, compara ou expõe alguém, está fora. Para o que ficar na fronteira, vale conferir a redação vigente no Conselho.

Posso divulgar o valor da sessão?

Divulgação de preço em formato de oferta não cabe. Informar a faixa quando perguntado, com clareza e explicando o que está incluído, é diferente de anunciar promoção.

Por Priscila Falchi – Consultoria de Marketing e fundadora da Modernizza Marketing Digital