Produzir conteúdo deixou de ser diferencial no momento em que todo mundo passou a produzir, e mais ainda agora que gerar texto ficou barato. O que separa quem é lido de quem é ignorado mudou de lugar, e é isso que decide o futuro do marketing de conteúdo daqui para frente. Vou mostrar o que passou a valer e o que a sua empresa deve publicar.

O que deixou de funcionar

Na Modernizza, costumamos ver empresas ainda operando com a lógica de dez anos atrás: publicar com frequência sobre o tema, com texto correto e genérico, esperando que o volume traga audiência.

Isso funcionava quando havia pouca coisa publicada. Hoje existe material demais sobre quase tudo, boa parte dele parecido, e o leitor aprendeu a reconhecer texto que não diz nada em dois parágrafos.

Se você já abriu um artigo, rolou até o meio procurando a resposta e desistiu, sabe exatamente do que estou falando. É essa a experiência que a maior parte do conteúdo de empresa oferece hoje.

O que passou a separar

Antes valiaAgora vale
Frequência de publicaçãoProfundidade de cada peça
Cobrir muitos temasDominar um tema
Explicar o conceitoDizer o que fazer com ele
Texto corretoTexto com experiência de quem faz
Opinião genéricaDado próprio, número, caso real

A última linha é a que mais importa agora. Conteúdo que traz um número medido, um prazo observado ou um caso real não se copia, e é por isso que o melhor conteúdo de uma empresa costuma estar na cabeça de quem atende, e não em pesquisa. Já vi um único texto contando o que deu errado num projeto render mais contatos do que trinta publicações explicando definições.

Menos peças, mais densidade

A consequência prática é confortável para empresa pequena: dá para publicar menos.

Uma peça por mês que responda de verdade uma dúvida difícil vale mais do que oito publicações rasas. E ela envelhece devagar, porque as dúvidas boas não mudam todo ano.

Vale escolher o tema pelo que a empresa domina de forma incomum, e não pelo que dá mais audiência. Audiência grande de gente errada não vira cliente.

Onde publicar mudou também

Antes bastava o blog. Hoje a mesma peça precisa funcionar em mais de um lugar: no site, onde ela é encontrada por quem procura; nas redes, onde ela alcança quem ainda não procura; e por mensagem, para quem já demonstrou interesse.

Isso não significa produzir três vezes. Significa escrever uma vez bem e adaptar o formato, aproveitando o mesmo raciocínio.

Ser citado pelas respostas de IA é o novo lugar de aparecer

Uma parte crescente das pesquisas termina numa resposta pronta, sem que a pessoa abra nenhum site. Isso muda o objetivo do conteúdo: além de ser encontrado, ele precisa ser citável.

O que costuma ser citado tem características previsíveis. Responde a pergunta de forma completa num trecho curto, traz número ou ordem específica, e não depende do resto do texto para fazer sentido.

Na prática, isso premia justamente o que já era boa escrita: responder logo, ser específico e não enrolar. Texto que só afirma princípio geral é parafraseado sem crédito; texto que traz prazo, faixa ou sequência é citado com o nome de quem escreveu.

Quem assina importa mais do que antes

Com material demais publicado, a origem virou critério. Texto assinado por alguém identificável, com experiência declarada no assunto, pesa mais do que texto institucional sem autor.

Retrato de um profissional de terno sorrindo, em estúdio

Convém assinar o que se publica, dizer quem é a pessoa e o que ela faz, e manter isso consistente. É de graça, e é um dos poucos sinais que empresa pequena consegue ter tão bem quanto empresa grande.

Onde a automação ajuda, e onde atrapalha

Gerar texto ficou fácil, e é justamente por isso que o texto gerado sem contribuição própria vale pouco: ele repete o que já existe publicado.

O uso que rende é outro: acelerar a parte mecânica. Organizar um rascunho a partir do que você ditou, sugerir uma estrutura, revisar clareza, adaptar a mesma peça para outro formato. O conteúdo continua vindo de quem faz o trabalho.

O que costuma dar errado é publicar sem essa camada. Sai correto, soa igual a todo mundo e não dá motivo para ninguém escolher a sua empresa, que é exatamente o problema que o conteúdo deveria resolver.

Registrar as perguntas que os clientes fazem, com as palavras deles, também ajuda. Elas são a matéria-prima que nenhuma automação tem, e são o que faz o texto soar como alguém que atende, e não como quem pesquisou o assunto.

O que continua igual

Vale terminar por aqui, porque muita coisa não mudou dentro do futuro do marketing de conteúdo. Continua valendo escrever para uma pessoa específica, responder a dúvida logo no começo em vez de enrolar, e ter um próximo passo claro para quem gostou.

E continua valendo a constância possível. Publicar menos e sempre bate publicar muito e parar, como trata inbound marketing funciona?.

Organizar isso dentro de um objetivo comercial é o que se faz numa campanha de vendas pela internet, e a atração inicial está em marketing digital para atrair clientes.

Perguntas frequentes

Ainda vale a pena produzir conteúdo?

Vale, com outra régua. Frequência e cobertura de temas deixaram de separar; o que separa agora é profundidade, experiência de quem faz e dado próprio.

Preciso publicar toda semana?

Não. Uma peça por mês que responda de verdade uma dúvida difícil vale mais do que oito rasas, e envelhece devagar, porque as dúvidas boas não mudam todo ano.

O que a inteligência artificial mudou nisso?

Explicar conceito ficou barato e abundante. O que não se consegue sem ter feito é o detalhe da prática: o que costuma dar errado, quanto tempo leva de verdade, o que ninguém avisa antes.

Como escolher o tema?

Pelo que a empresa domina de forma incomum, e não pelo que dá mais audiência. Audiência grande de gente errada não vira cliente.

Por Priscila Falchi – Consultoria de Marketing e fundadora da Modernizza Marketing Digital