Marketing de conteúdo é apresentado como caminho barato e frustra empresa pequena por um motivo específico: ele é barato em dinheiro e caro em constância, que é justamente o recurso mais escasso de quem toca tudo. Vou mostrar como fazer isso caber numa rotina real e o que esperar de prazo.

O marketing de conteúdo ou inbound marketing é uma estratégia que envolve o desenvolvimento e distribuição de conteúdos de interesse do público-alvo de uma empresa. O SEBRAE também recomenda essa estratégia a pequenas e médias empresas.

O principal objetivo é gerar relacionamento com o público-alvo criando um meio de atração, engajamento e posteriormente conversão em leads.

A estratégia de marketing de conteúdo visa criar um canal de relacionamento que vise construir um envolvimento e confiança de um determinado público até levá-lo a se tornar um cliente.

É uma ação com resultados a médio e longo prazo, pois não tem o apelo de uma propaganda.

Dica de marketing de conteúdo para pequenas empresas

Para empresas de pequeno e médio porte, o marketing de conteúdo pode ser uma ótima estratégia, pois permite interagir com um público certo com uma comunicação dirigida com baixos investimentos, dentro das suas campanhas de vendas pela internet.

Os conteúdos gerados podem ser disponibilizados em diversas formas:

  • post em blog
  • ebooks
  • canais de vídeos
  • webinar
  • entre outros

Sendo que para disponibilizar o conteúdo o interessado deve preencher um formulário de contato ou disponibilizar informações sobre o seu perfil, que permitam criar o canal de relacionamento.

O segredo do marketing de conteúdo é a qualidade do material desenvolvido, ou seja, a sua relevância.

Além da forma de divulgação, que em geral pode ser por meio das redes sociais e outras formas de comunicação digital.

Primeiramente busque ter um site ou blog no qual deixará publicados os materiais disponíveis.

Depois crie posts que possam ser postados nas redes sociais e até patrocinados, como por exemplo, o Facebook que permite anúncios ou promoção de posts pagos.

Com os contatos captados, gere novos materiais e passe a oferecê-los, criando um relacionamento a longo prazo.

Isso aos poucos gera engajamento com o seu público até chegar a um momento em que perceba um interesse pelos seu trabalho e realizar uma abordagem direta e falar sobre os produtos da sua empresa.

Mensure os resultados e o grau de engajamento de cada contato que recebe o seu conteúdo e saiba o momento certo de fazer a sua oferta.

O custo real não é dinheiro

Na Modernizza, costumamos ver empresas pequenas começarem animadas, publicarem por dois ou três meses e pararem. Não faltou orçamento, faltou fôlego.

Conteúdo é a frente que mais depende de manter, e a que menos dá retorno imediato para sustentar o entusiasmo. Por isso a decisão importante não é o que publicar, é qual ritmo você consegue manter no mês mais corrido do ano.

Duas publicações por mês mantidas por doze meses rendem mais do que vinte num mês e silêncio depois. Parece pouco e é o que funciona.

O assunto já existe

A trava costuma ser não saber sobre o que escrever, e o material está nas conversas que a empresa já tem.

Toda pergunta que um cliente faz, todo mal-entendido sobre o que a empresa faz, toda objeção que aparece na negociação. Em um mês essa lista tem assunto para um semestre, e cada item já vem com garantia de interessar a alguém.

Costumo dizer que o melhor conteúdo de uma empresa já foi explicado dez vezes ao telefone, só nunca foi escrito.

Quem escreve, quando ninguém tem tempo

O arranjo que destrava é separar quem sabe de quem escreve. Quem domina o assunto grava alguns minutos respondendo como responderia a um cliente, e outra pessoa transforma em texto.

Assim o esforço de quem entende é de minutos, e o texto sai com a experiência de quem atende, que é o que conteúdo genérico não tem.

Quanto tempo até render

O que esperar Quando costuma acontecer
Primeiros textos aparecendo na busca 1 a 3 meses
Visitas constantes vindas da busca 4 a 8 meses
Contatos regulares vindos de conteúdo 6 a 12 meses

Quem precisa de cliente este mês não deve começar por aqui. Quem quer reduzir a dependência de anúncio precisa começar hoje o que leva meses.

O vazamento mais caro

A empresa publica, a pessoa lê, gosta e vai embora, porque não havia próximo passo claro.

Vale terminar cada texto com um caminho natural: uma página que aprofunde, uma forma simples de falar com a empresa, ou o conteúdo seguinte. Sem isso, o conteúdo trabalha para o leitor e não para o negócio.

Um conteúdo, três usos

O que torna a rotina possível em empresa pequena é parar de produzir peça nova para cada canal. A mesma resposta vira texto no site, publicação curta na rede e material de apoio no atendimento.

Isso reduz o esforço a um terço e ainda aumenta a coerência, porque a empresa passa a dizer a mesma coisa em todos os lugares.

Vale escrever primeiro a versão completa, que é a que fica no site e é encontrada pela busca, e derivar as outras dela.

Peça de fundo, e não de tendência

Conteúdo sobre a novidade do mês rende duas semanas e envelhece. Conteúdo que responde uma dúvida que não muda continua trazendo gente por anos.

Para empresa pequena, com pouco tempo de produção, essa diferença decide. Uma peça de fundo bem feita vale mais do que dez sobre tendência, e ainda dispensa manutenção.

São textos do tipo como escolher entre duas opções, o que conferir antes de contratar, quanto costuma custar e por quê. Perguntas que qualquer cliente faz, hoje e daqui a três anos.

Como medir sem se enganar

Visualização e tempo de leitura sobem sem que nada mude no faturamento. Três perguntas dão a leitura honesta.

Quantas pessoas chegaram pela busca neste trimestre comparado ao anterior. Quantas dessas pediram alguma coisa. E quantos clientes fechados disseram ter lido algo antes de procurar a empresa.

A terceira se consegue perguntando, e costuma revelar que o conteúdo participou de vendas creditadas à indicação.

Escrever para uma pessoa, não para um público

Texto escrito para todo mundo soa como não escrito para ninguém. O ajuste que mais melhora a leitura é imaginar um cliente específico, com o problema dele, e responder àquela pessoa.

Isso resolve sozinho a dúvida de quanto explicar, muda o vocabulário e escolhe o exemplo. E faz o texto usar as palavras que o cliente usa, que é como ele será encontrado.

Em empresa pequena isso é mais fácil do que parece: normalmente quem escreve conhece pessoalmente vários clientes.

Os três meses que decidem

Existe um padrão em quem começa: o primeiro mês é de animação, o segundo de dúvida e o terceiro é o de desistir. Quem atravessa o terceiro costuma chegar ao resultado.

O que ajuda a atravessar é medir, nesse período, apenas o que está sob controle: se publicou, se respondeu rápido, se pediu indicação. O resultado vem depois e depende de acúmulo.

Já vi resultado aparecer no oitavo mês em conta que quase foi abandonada no quarto.

Quando terceirizar a produção

Vale terceirizar a execução quando a empresa já sabe o que quer dizer e para quem, e o que falta é tempo de escrever e publicar.

Não vale terceirizar a definição, porque ninguém de fora conhece as dúvidas reais dos seus clientes. Quando isso acontece, o material sai correto e genérico, e o resultado se parece com o de qualquer concorrente.

O arranjo que funciona é a empresa fornecer o assunto e a resposta, em áudio ou em conversa, e o fornecedor cuidar da produção. Assim o custo interno é de minutos e o conteúdo mantém a experiência de quem atende.

E vale reservar horário na agenda para isso, como se fosse compromisso com cliente. Conteúdo sem hora marcada perde para qualquer urgência, e é assim que a constância se quebra sem ninguém decidir parar.

Vale ainda combinar o que acontece nos meses impossíveis: em vez de pular, publicar uma versão menor. Manter o ritmo com peça curta preserva o hábito e evita o recomeço do zero.

Atualizar rende mais do que publicar

Depois do primeiro ano, melhorar o que já existe costuma mover a posição mais rápido do que escrever algo novo. Uma proporção que funciona é dois textos novos e um antigo revisado por mês.

De onde tirar assunto está em como gerar conteúdo para o seu site, e a escrita que convence em a importância de uma boa copy de vendas.

Perguntas frequentes

Marketing de conteúdo é barato?

É barato em dinheiro e caro em constância, que costuma ser o recurso mais escasso de empresa pequena. A decisão importante é qual ritmo você mantém no mês mais corrido do ano.

Sobre o que escrever?

Sobre as conversas que a empresa já tem: perguntas de cliente, mal-entendidos sobre o que ela faz e objeções de negociação. Em um mês essa lista dá assunto para um semestre.

Quanto tempo até dar resultado?

Os primeiros textos aparecem na busca em um a três meses, visitas constantes em quatro a oito, e contatos regulares de seis meses a um ano. Quem precisa de cliente agora não deve começar por aqui.

Quem escreve, se ninguém tem tempo?

Separe quem sabe de quem escreve: quem domina o assunto grava a resposta em alguns minutos e outra pessoa transforma em texto, sem inventar conteúdo.

Por Priscila Falchi – Consultoria de Marketing e fundadora da Modernizza Marketing Digital